TEVX Higer Bus amplia portfólio no Brasil com novos modelos elétricos e de luxo

Governança e financiamento são chaves para expansão de ônibus elétricos na América Latina, apontam especialistas

Do PORTAL UNIBUS
Foto: Divulgação (TEVX Higer Bus)

A expansão dos ônibus elétricos na América Latina segue em crescimento, mas ainda enfrenta entraves relacionados à governança, segurança jurídica e acesso a financiamento. O tema foi discutido durante o webinar “Eletromobilidade na América Latina”, promovido pela Associação Internacional de Transporte Público (UITP) em parceria com a CWBus, uma plataforma de transporte coletivo, realizado nesta quarta-feira (8).

O evento reuniu representantes de sistemas que somam mais de 8 mil veículos em operação na região. Durante o encontro, especialistas apontaram que a consolidação da eletromobilidade depende de contratos estruturados, com regras claras e previsibilidade econômica.

Segundo Eleonora Pazos, representante da UITP na América Latina e ,Maurício Gulin, presidente do Conselho da CWBus, a coordenação entre poder público, operadores e instituições financeiras é um dos fatores necessários para ampliar a escala dos projetos.

Cidades da américa latina ampliam uso de ônibus elétricos
Experiências em cidades como Santiago, Bogotá, Curitiba, São Paulo, Cidade do México, Montevidéu e Cidade do Panamá foram citadas como referências na adoção de ônibus elétricos, ainda que em diferentes níveis de desenvolvimento regulatório.

O debate indicou que a transição energética no transporte coletivo envolve mudanças estruturais no modelo operacional, e não apenas a substituição da tecnologia.

De acordo com Marcello Lauer, membro do conselho do Instituto Brasileiro de Estudos Técnicos Avançados (IBETA), a base contratual é um dos pontos centrais para viabilizar a eletrificação. “Quando o assunto é a eletrificação do transporte público por ônibus, a governança já integra a própria engenharia da operação”, afirmou.

Crescimento da frota elétrica e concentração regional
Dados apresentados no webinar indicam que a América Latina passou de cerca de 800 ônibus elétricos em 2017 para mais de 6 mil em 2024, com crescimento médio anual superior a 30%. Esse avanço, no entanto, está concentrado em cidades que estruturaram contratos com maior previsibilidade e segurança jurídica.

Segundo Lauer, a ausência desses elementos limita o acesso a financiamento e impede a expansão dos projetos. “Sem isso, não há financiamento e, portanto, não há escala”, declarou.

O especialista também destacou a necessidade de modelos contratuais mais complexos, com definição clara de riscos, regras de remuneração e mecanismos de reequilíbrio econômico-financeiro. “A transição energética exige documentos mais sofisticados, com capacidade de adaptação, monitoramento e transparência”, afirmou.

Nesse contexto, a atuação de verificadores independentes foi apontada como mecanismo relevante para garantir a confiabilidade das informações e o equilíbrio entre as partes em contratos de concessão e parcerias público-privadas.

Financiamento é apontado como fator decisivo
Outro ponto abordado foi a necessidade de estruturar projetos de eletromobilidade com foco em bancabilidade. De acordo com Lauer, a expansão depende da capacidade de transformar os projetos em ativos financiáveis.

Ele citou o relatório “Funding and Financing of Public Transport in Latin America and the Caribbean”, publicado em 2025 pela Associação Internacional de Transporte Público (UITP) em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O documento aponta que o acesso a recursos está ligado à solidez das fontes de financiamento, à qualidade institucional e à capacidade técnica dos projetos.

Na mesma linha, o Banco Mundial destaca que o desenvolvimento do mercado de financiamento de ônibus está relacionado à estrutura dos sistemas locais de transporte, considerando fatores como regulação, sustentabilidade financeira e organização do mercado.

Curitiba estabelece metas para eletrificação da frota
Representando operadores do transporte coletivo de Curitiba (PR), Ângelo Gulin, presidente do Curitibus, afirmou que as empresas estão preparadas para avançar na eletrificação, condicionando novos investimentos à segurança contratual.

A cidade possui cerca de 1.200 ônibus em operação e registra aproximadamente 12 milhões de passageiros por mês. As metas locais preveem atingir 33% da frota com veículos de zero emissão até 2030 e 100% até 2050.

Segundo Gulin, a existência de passivos entre o poder público e operadores ainda gera incertezas. “A hora que houver definição e segurança, estamos prontos para colocar esses veículos em operação”, disse.

Bogotá amplia frota e lidera adoção na região
O webinar também apresentou dados regionais sobre a adoção da tecnologia. De acordo com José Nascimento, consultor da UITP, o crescimento da eletromobilidade ocorre de forma desigual entre os países.

A experiência de Bogotá foi destacada entre os casos apresentados. Segundo Maria Fernanda Ortiz Carrascal, representante da TransMilenio, a cidade conta atualmente com cerca de 1,5 mil ônibus elétricos e projeta ultrapassar 2 mil unidades até 2027.

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