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Jean-Paul Prates prevê tarifa zero em capitais do Nordeste sustentada por energia limpa em até 20 anos

Do PORTAL UNIBUS
Foto: Fernando Frazão (Agência Brasil)

O ex-presidente da Petrobras e ex-senador Jean-Paul Prates afirmou que, dentro de duas décadas, algumas capitais do Nordeste poderão adotar a tarifa zero no transporte público, financiada por geração local de energia. A previsão foi feita durante o seminário sobre Eletromobilidade promovido pelo Grupo Lide, realizado no fim de fevereiro, em São Paulo.

Prates, que foi curador do encontro e preside o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), destacou que a eletromobilidade vai além da redução de emissões, abrangendo benefícios como melhoria da qualidade do ar, redução de custos operacionais, valorização da engenharia nacional e geração de empregos qualificados. “O desafio tecnológico se resolve com demanda, financiamento e políticas públicas eficazes”, afirmou.

Potencial energético e cidades autossuficientes
O especialista ressaltou o potencial do Norte e do Nordeste, regiões que apresentam excedente energético, especialmente na faixa que vai de Pernambuco ao Amapá — área que classificou como “Brasil equatorial”. Segundo ele, essas condições favorecem uma eletrificação acelerada da frota de veículos e podem transformar consumidores em produtores de energia.

“Cidades planas, com casas aptas à geração solar, poderão formar uma base de cidadãos autônomos, que gerarão energia para sua própria mobilidade”, explicou. Prates observou ainda que os postos de combustíveis precisarão se reinventar, atuando como pontos de recarga e oferecendo novos serviços adaptados à transição energética.

Fim da era do petróleo e o papel da eletricidade
Com mais de 40 anos de experiência nos setores de petróleo, gás e energias renováveis, Prates foi categórico ao afirmar que “a era do petróleo acabou para a mobilidade”. Segundo ele, a transição energética já é uma realidade e o Brasil deve se posicionar como protagonista global no processo.

Para o ex-senador, o combustível do futuro será a eletricidade, independentemente da fonte — solar, eólica, hídrica ou outra. “Biocombustíveis e gás natural são combustíveis de transição, não do futuro”, destacou.

Desafios regulatórios e avanços legais
Entre os desafios da transição, Prates defendeu a criação de um novo arcabouço regulatório que garanta segurança jurídica à eletrificação da mobilidade. Ele sugeriu que o “direito à recarga” — isto é, o direito de instalar e utilizar pontos de recarga para veículos elétricos — seja reconhecido como um direito público essencial, vinculado ao direito de locomoção.

Ele citou como exemplo a Lei Estadual nº 18.403/2026, sancionada recentemente em São Paulo, que garante aos condôminos o direito de instalar pontos de recarga em garagens residenciais ou comerciais, arcando com os próprios custos. A norma, segundo ele, representa um passo importante para impulsionar a expansão da frota elétrica no país.

Indústria nacional e financiamento
Prates também destacou o papel estratégico da indústria brasileira na cadeia da eletromobilidade, que abrange a produção de baterias, carregadores, sistemas urbanos e componentes eletrônicos. Ele citou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como agente essencial no financiamento do setor, defendendo a adoção de políticas de crédito que priorizem fornecedores locais.

“O Brasil tem capacidade técnica e industrial para liderar a transição energética e desenvolver uma cadeia produtiva completa, desde a geração até a mobilidade elétrica”, concluiu.

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