Do PORTAL UNIBUS
Foto: Divulgação (Marcopolo / Secco Comunicação)
O setor de transportes, responsável por uma significativa parcela das emissões de carbono globais, enfrenta desafios crescentes para reduzir seu impacto ambiental e cumprir as metas climáticas. Para debater soluções e inovações no setor, a Amcham Brasil promoveu, no dia 28 de março, o painel “Soluções para Mobilidade”, reunindo representantes da Marcopolo, GM e Corning América Latina, além da participação de Cloves Eduardo Benevides, subsecretário de sustentabilidade do Ministério dos Transportes.
Durante o evento, o CEO da Marcopolo, André Armaganijan, destacou o compromisso da empresa com a mobilidade sustentável e sua abordagem diversificada para a transição energética. “Não acreditamos em uma solução única. Temos fábricas em sete países e, para atender diferentes realidades e matrizes energéticas, precisamos desenvolver múltiplas alternativas”, afirmou.
A Marcopolo tem investido no desenvolvimento de tecnologias variadas, incluindo ônibus 100% elétricos, híbridos etanol/elétrico e um micro-ônibus movido a biometano e gás natural. Segundo Armaganijan, cada mercado demanda uma solução específica, considerando a infraestrutura energética disponível e a viabilidade operacional.
Hidrogênio e transporte de baixa emissão
Entre as iniciativas inovadoras citadas pelo executivo, os motores movidos a hidrogênio ganham destaque. Com maior autonomia, essa tecnologia é vista como uma alternativa promissora para viagens intermunicipais, além de exigir menos baterias, reduzindo o impacto ambiental da produção e descarte desses componentes. Armaganijan mencionou que testes com veículos movidos a hidrogênio já estão em andamento em cidades como São Paulo.
Outro ponto abordado foi a participação da Marcopolo no desenvolvimento de trens, uma solução complementar ao transporte rodoviário e que contribui para a redução de emissões e a ampliação das opções de mobilidade sustentável.
Incentivos para inovação e renovação de frotas
Além das soluções tecnológicas, Armaganijan destacou a importância de programas de financiamento à pesquisa e inovação, como os programas Mover e Finep. Ele defendeu a necessidade de incentivos para a renovação de frotas, substituindo veículos antigos, que poluem mais, por modelos mais modernos e eficientes. “É fundamental retirar de circulação os ônibus mais antigos e viabilizar a adoção de tecnologias mais limpas”, concluiu.
O painel reforçou que, para o setor de transportes cumprir suas metas climáticas, será essencial combinar inovação tecnológica, incentivos financeiros e políticas públicas eficazes. O avanço da mobilidade sustentável dependerá de um esforço conjunto entre fabricantes, governo e operadores de transporte, buscando equilibrar eficiência operacional, viabilidade econômica e impacto ambiental reduzido.