Caio entrega primeiro ônibus elétrico para a Pêssego Transportes em São Paulo

São Paulo enfrenta desafios para eletrificação da frota de ônibus

Do PORTAL UNIBUS
Foto: Divulgação (Caio Induscar)

Apesar de um plano para substituir os ônibus a diesel por veículos elétricos estar em vigor desde 2009, São Paulo ainda não conseguiu viabilizar uma frota totalmente sustentável. Após quatro gestões municipais e mudanças nas metas estabelecidas, a cidade aguarda uma decisão judicial para retirar a obrigação de alcançar 50% da frota limpa até 2028. A transição para a descarbonização enfrenta desafios que envolvem prefeitura, empresas de transporte e fabricantes de ônibus elétricos.

Atualmente, 95% dos ônibus da capital paulista utilizam diesel. A meta estipulada em 2018 previa que metade da frota seria descarbonizada até 2028, mas uma alteração legislativa aprovada em fevereiro de 2025 eliminou essa exigência. No entanto, a mudança foi suspensa pela Justiça devido ao risco de impacto ambiental.

São Paulo conta com cerca de 12 mil ônibus em circulação, dos quais 630 operam com energia limpa. Segundo dados da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado (Fetpesp) e da São Paulo Transporte (SPTrans), desse total, 429 são movidos a bateria e 201 são trólebus conectados à rede elétrica.

Quais são os principais desafios para a eletrificação da frota?

  • Mudança na legislação: A exclusão da meta de 50% da frota limpa até 2028 foi justificada pelo poder público como uma necessidade para que o mercado tenha mais tempo para adaptação. A legislação vigente sobre a descarbonização da frota foi inicialmente aprovada em 2009, durante a gestão de Gilberto Kassab, e posteriormente alterada em 2018, no governo de João Doria.
  • Infraestrutura de recarga: O principal entrave apontado por prefeitura e empresas de ônibus é a falta de pontos de recarga para os veículos elétricos. O projeto de lei que alterou as metas ambientais prevê um prazo de 90 dias para que as concessionárias apresentem planos de adequação das garagens à Enel e mais 90 dias para que a empresa de energia avalie as propostas.
  • Investimento necessário: O custo elevado dos ônibus elétricos também é um fator limitante. Um veículo movido a diesel custa cerca de R$ 700 mil, enquanto a versão elétrica chega a R$ 2,4 milhões. A prefeitura anunciou um plano para disponibilizar R$ 2,6 bilhões às concessionárias, com carência de 12 meses e juros reduzidos, mas sem detalhar as taxas aplicadas.
  • Tempo de recarga: Enquanto um ônibus a diesel pode ser reabastecido em cerca de seis minutos, um elétrico leva pelo menos seis horas para atingir carga total, o que pode impactar a operação das linhas.
  • Mão de obra especializada: A introdução de veículos elétricos exige treinamento específico para motoristas e mecânicos, o que demanda tempo e investimento.
  • Disponibilidade de veículos: O prefeito Ricardo Nunes afirmou que a meta de descarbonização é “utópica” devido à suposta falta de veículos disponíveis no mercado. No entanto, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) contestou a declaração, afirmando que a indústria nacional tem capacidade para atender à demanda.

Alternativas em estudo
Diante dos desafios para ampliar a frota elétrica, a prefeitura e as concessionárias avaliam outras opções para reduzir as emissões de poluentes:

  • Uso de biogás: Um grupo de estudo analisa a viabilidade de abastecer os ônibus com biogás, em parceria com a Companhia de Gás de São Paulo (Comgás). A prefeitura argumenta que as garagens de ônibus da cidade já possuem infraestrutura de gás natural, o que poderia facilitar a transição.
  • Padrão Euro VI: A Fetpesp defende a substituição dos ônibus a diesel fabricados antes de 2024 por modelos que sigam o padrão Euro VI, uma norma europeia que reduz a emissão de poluentes em veículos pesados. Segundo a federação, essa mudança seria mais rápida e eficiente do que a transição imediata para ônibus elétricos.

Histórico das metas de descarbonização
A política de redução de emissões no transporte público foi estabelecida em 2009, durante a gestão de Gilberto Kassab, com a meta de eliminar os ônibus a diesel até 2018. Em 2018, no governo João Doria, o prazo foi revisado para 50% da frota livre de combustíveis fósseis até 2028 e 100% até 2038.

Em 2025, um projeto aprovado pela Câmara Municipal autorizou a compra de novos ônibus a diesel, desde que seguissem padrões menos poluentes. A medida também eliminou a meta de 50% da frota limpa até 2028, estabelecendo um novo objetivo de 95% de descarbonização até 2038.

A decisão foi contestada judicialmente e suspensa após uma ação do PSOL. O caso segue em análise pela Justiça, e a exigência de metas ambientais permanece indefinida até uma decisão definitiva.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Pular para o conteúdo