Pela primeira vez, a Siderúrgica ArcelorMittal vai usar em escala veículos de grande porte que não têm mais serventia para produzir aço. A empresa de Minas Gerais fechou contrato com a JR Diesel, especializada na compra e venda de peças usadas e no desmanche de grandes veículos.
A siderúrgica comprou 57 ônibus que prestaram serviços na capital paulista e que já extrapolaram a idade máxima permitida pela SPTrans – São Paulo Transporte, responsável pelo gerenciamento do sistema.
A SPTrans permite a circulação de ônibus com até dez anos, mas durante os contatos emergenciais até a definição da licitação do sistema, os veículos com 11 anos passaram a ser admitidos, desde que passassem por vistorias bimestrais.
De acordo com estimativa da empresa mineira, o uso de ônibus e carros-fortes desativados pode render até 1,1 mil tonelada de aço que será aplicada na fabricação de fornos industriais.
A Siderúrgica ArcelorMittal pode se tornar uma das maiores clientes dos ônibus-sucata de São Paulo, onde vê o potencial de 2,5 mil coletivos urbanos para este fim.
Como mostrou o Diário do Transporte, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, promete que até o final da atual gestão, iniciada em 2017 pelo atual governador João Doria, em torno de seis mil ônibus municipais estarão trocados. O número já está em mais de quatro mil veículos.
Em média, a tonelada do aço reciclável custa entre R$ 450 e R$ 500 no mercado.
As peças dos ônibus que podem ser aproveitadas, como bancos, espelhos, volante e lanternas, serão vendidas no mercado formal de componentes usados.
Quanto aos carros-fortes, o índice de aproveitamento é menor. Por lei, estes veículos precisam ser desmanchados e não podem ser vendidos como usados, uma possibilidade que existe no mercado de ônibus.
A maior parte dos coletivos de São Paulo que vão virar forno é de motor traseiro com piso baixo, um tipo de ônibus que tem muito pouca aceitação no mercado de usados dependendo da data de fabricação.
Diário do Transporte