Não se fala em outra coisa no transporte potiguar: a falência da Viação Riograndense é o assunto do momento na imprensa e nas comunidades de especialistas em ônibus. Por isso, o UNIBUS RN traz, agora, as últimas informações sobre a falência da mais antiga empresa de ônibus do Rio Grande do Norte.
Sintro recorrerá para garantir direitos de funcionários da Riograndense: O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Rio Grande do Norte (Sintro/RN) entrará com uma ação na Justiça para que seja garantido o pagamento dos direitos trabalhistas dos 150 funcionários da Viação Riograndense, que anunciou falência no último domingo. Esse foi o resultado da reunião de conciliação com o proprietário da empresa, ocorrida na manhã de ontem na Delegacia Regional do Trabalho (DRT). O encontro foi considerado “infrutífero” pelo mediador do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Cláudio Gabriel. O advogado Augusto Maranhão, representante da empresa de ônibus, diz que o Ministério Público do Trabalho (MPT) deverá fazer um levantamento do montante a ser pago das rescisões de contrato e dos bens da empresa para que seja montado um cronograma de pagamentos.
Cláudio Gabriel, mediador do MTE, diz que, apesar dos esforços, não foi possível se chegar a um acordo com o proprietário. “Ele alegou que não tinha como pagar a rescisão dos contratos. Dessa forma, o Sintro foi orientado a procurar a Justiça”.
Na tarde de ontem, a direção do Sintro também procurou o apoio do MPT para que se mova uma ação no sentido de bloquear os bens da Viação Riograndense para garantir o pagamento dos direitos trabalhistas. “Nós também buscamos junto à Justiça que se determine que a empresa que vier a substituir a Riograndense nas linhas que ela fazia absorva os funcionários dispensados”, acrescenta Nastagnan Batista, presidente do sindicato. O sindicalista ressalta ainda que os trabalhadores recolheram os veículos em posse da empresa nas garagens e os têm guardado como garantia para que sejam leiloados para pagamento dos direitos.
Bancarrota: Augusto Vale, advogado da empresa, alega que a empresa vinha há anos sofrendo com o acúmulo de dívidas tributárias e previdenciárias, até não ter mais como se manter. “Vários dos bens dos proprietários foram empenhados ou leiloados para quitar essas dívidas e continuar pagando o salário dos funcionários regularmente. Masse chegou a um ponto que não dá mais para pagar, pois a empresa foi à bancarrota”.
Segundo ele, as dívidas tributárias acumuladas giram em torno de R$ 50 milhões, sem contar com as rescisões dos funcionários. O proprietário da Riograndense, José Venâncio Flor, participou pessoalmente da reunião, mas não quis se pronunciar sobre a falência da empresa.
Fonte: Diário de Natal
Usuários das linhas Riograndense buscam novas alternativas: A falência da Viação Riogransense prejudicou não só os funcionários, mas também os passageiros, visto que a empresa era responsável pelas linhas 03, 45 e 28. Na segunda-feira (13), a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) se reuniu com o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros (Seturn) para criar medidas que minimizasse os problemas que foram ocasionados pelo fim da Riograndense.
Em reunião, foi decidido que o Semob estudará algumas medidas, como extensão de linhas já existentes, cotação de circulares ou autorizar uma outra empresa para que possa operar as linhas.
De acordo com o secretário de Mobilidade Urbana, Márcio Sá, as linhas de ônibus que passam próximos dos lugares atendidos pela Viação Riograndense serão reforçadas.
Os ônibus 03 e 28 saíam do bairro de Nova Natal, localizado na Zona Norte, para ir ao Campus da UFRN e IFRN, respectivamente. Com a ausência das linhas, muitos moradores do bairro estão procurando alternativas para chegar aos locais de estudo e trabalho. Agora, só há dois veículos que circulam pelo bairro.
O estudante de jornalismo Izaías Bezerra saia do bairro para ir a UFRN. Ele disse que está usando as linhas 64 e 10, no qual passam por Nova Natal quando fazem o seu trajeto de volta. Bezerra ainda comentou que todos os veículos dessas linhas se encontram lotados.
A empregada doméstica Maria Lopes, também residente do bairro, precisava pegar o 03 todos os dias para trabalhar. Agora, ela está pegando um alternativo para chegar ao seu destino ou o 132. Ela está achando horrível essa situação e espera que a Prefeitura resolva o problema mais rápido possível.
Apesar de não residir no bairro dos dois entrevistados acima, o estudante de história João Mizael usava a linha para fugir da superlotação do Circular, ônibus que faz o transporte interno de alunos, funcionários e visitantes da Universidade. “Sem o 03, os alunos perdem mais uma opção de transporte para ir ao Campus Universitário e também em outros lugares”, disse o estudante.
Sá também comentou que a decisão sobre o destino das linhas de responsabilidade da Riograndense vai demorar alguns dias, visto que estão sendo tomadas medidas jurídicas e administrativas sobre a decisão da empresa.
Fonte: Nominuto.com
Edição: Andreivny Ferreira