Com relação ao número de acidentes houve um aumento de 17,7 entre 2011 e 2012. Em 2011, ocorreram 169 acidentes e, no ano passado, 199. Na comparação de 2012 e 2010, houve uma queda de 10,5%. O chefe em exercício da Assessoria de Comunicação da PRF, inspetor Roberto Palhano, diz que a perda de vidas humanas em acidentes envolvendo animais “é irreparável”, e isso preocupa as autoridades públicas, em virtude do custo socioeconômico que acarreta para a população e para o próprio contribuinte de impostos.
Roberto Palhano mostrou uma informação levantada junto ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que aponta que em casos de acidentes sem vítima, o custo alcança é de R$ 16.840,00, mas quando o acidente envolve feridos, esse custo eleva-se para R$ 86.032,00. Palhano explica que a PRF costuma mostrar esses dados em palestras para a qual ela é convidado, e informa, por exemplo, que em casos de acidentas com mortos, o custo social e econômico para a União vai a R$ 418.341,00.
“Esses valores podem aumentar consideravelmente, pois cada acidente tem sua peculiaridade e o pior é que a sociedade sempre vai estar pagando por esses acidentes, pois somos nós que pagamos os tributos”, disse o inspetor Palhano. Ele reforçou que muitas pessoas vítimas de acidente estão, hoje, encostadas no INSS porque se acidentaram.. “São pessoas novas e muitas delas com membros amputados, pais de família que poderiam estar na ativa trabalhando e tendo o seu sustento, mas por causa de imprudências no trânsito estão sofrendo e sendo um peso para a sociedade”, disse o inspetor.
O inspetor da PRF disse que a maioria dos acidentes envolvendo animais ocorre nos trechos das rodovias na área rural, onde, muitas vezes, o proprietário do animal o deixa solto, principalmente em períodos de estiagem ou durante o verão, por falta de pastagem. Então, os animais procuram as margens das estradas, onde existem capim.
Palhano disse que a PRF faz um trabalho quase invisível, de recolher os animais que estão nas rodoviais, para melhorar a segurança nas estradas. Nesses casos, explicou o inspetor, quando se identifica o proprietário, ele é chamado para assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) “e vai responder na Justiça por essa situação”.
Segundo ele, em muitos casos, a equipe da PRF caminha quilômetros para achar uma porteira aberta e deixar esses animais que são encontrados soltos nas BRs, sendo que em alguns casos, as prefeituras de cidades que margeiam as rodovias federais têm um local próprio para o recolhimento desses animais, que para serem devolvidos, os donos têm de pagar uma taxa ao município.
De acordo com os dados da PRF, a rodovia federal com o maior número de acidentes envolvendo animais é, justamente, a mais longa – a BR-304 -, que corta o Estado de leste a oeste ligando Natal a Mossoró, com 239 acidentes. Mesmo assim, na BR-304 morreram quatro pessoas nos últimos três anos, sendo que quatro só em 2012. Em seguida vem a BR-101, que liga Recife (PE) e João Pessoa (PB a Natal, com 101 casos de acidente com animais e apenas uma pessoa morta.
O maior número de pessoas mortas nesses casos – cinco – ocorreu na BR-226, que liga a região do Seridó à capital, e que aparece em terceiro lugar em número de acidentes com animais – 86. Nas áreas urbanas o risco de acidente com animais é menor, disse um policial rodoviário que não quis se identificar, por ocasião de um acidente ocorrido ontem, na BR 101, em frente ao Centro Administrativo de Lagoa Nova.
No caso, segundo ele, o problema de animal do meio da rua é decorrência dos carroceiros, que às vezes deixam os animais amarrado e depois eles se soltam, como ocorreu com o cavalo que foi atropelado e morto por um Sentra Nissan, na manhã de ontem.
O funcionário público Eduardo Brandão disse que sua mulher ia deixá-lo no trabalho, quando ocorreu o acidente: “O cavalo estava atravessando no sentido do Centro Administrativo. Quando a gente viu já estava em cima dele. A nossa sorte é que estávamos em baixa velocidade e afetou só o capô, se tivesse em alta velocidade certamente tinha entrado no carro”. Segundo Brandão, o animal invadiu a pista ao sair do canteiro central. Brandão chegou a acariciar o animal agonizante: “é aquele negocio, é uma vida, o carro a gente vai consertar, mas o animal está morrendo ali e não tem o que a gente possa fazer”, dizia ele.
Fonte: Tribuna do Norte