Do PORTAL UNIBUS
Foto: Alex Rocha (Prefeitura de Porto Alegre)
A possível ampliação do programa Move Brasil, com uma nova rodada de crédito estimada em até R$ 20 bilhões, recoloca o setor de transporte como eixo estratégico dentro da política econômica nacional. A iniciativa sinaliza uma mudança de abordagem, ao tratar o segmento não apenas como resposta emergencial, mas como elemento estruturante da produtividade e da capacidade operacional do país.
Após o esgotamento dos R$ 10 bilhões disponibilizados na primeira fase, o governo avalia manter o modelo de financiamento híbrido, com recursos do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A nova etapa pode ampliar o escopo do programa, incluindo ônibus e implementos rodoviários entre os itens financiáveis.
A proposta amplia o alcance da política pública e reforça a percepção de que o desempenho logístico depende de um conjunto integrado de fatores, que vai além da renovação de veículos, envolvendo eficiência operacional e qualidade dos equipamentos utilizados nas diferentes etapas do transporte.
O Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), que representa mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero quilômetro, avalia que o avanço do programa pode contribuir para reorganizar a dinâmica do setor, desde que o crédito seja oferecido em condições compatíveis com a realidade dos operadores.
Segundo o presidente da entidade, José Ronaldo Marques da Silva, conhecido como Boizinho, a renovação da frota impacta diretamente a estabilidade das operações. De acordo com ele, veículos mais antigos elevam custos, reduzem a confiabilidade e aumentam riscos, enquanto o acesso a financiamento previsível permite melhor planejamento e maior consistência operacional.
A possível inclusão de implementos rodoviários e ônibus também altera a dinâmica da cadeia logística. A atualização desses equipamentos pode contribuir para ganhos de desempenho, redução de avarias e melhoria na qualidade das entregas, especialmente em operações que exigem maior regularidade.
Para o diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, a modernização precisa alcançar toda a operação. Ele destaca que equipamentos defasados comprometem a eficiência, pressionam custos e impactam diretamente os resultados, enquanto investimentos mais amplos tendem a gerar maior previsibilidade e melhoria no padrão de serviço.
A nova fase do Move Brasil se insere em uma estratégia de direcionamento de crédito para setores com maior capacidade de resposta à atividade econômica. Nesse contexto, o transporte se destaca pelo seu papel transversal, com impacto direto sobre cadeias produtivas e a circulação de bens no país.
Ainda segundo o Sinaceg, o efeito prático da medida dependerá da execução e do acesso efetivo ao crédito por parte dos operadores. Em um cenário marcado por pressão de custos e margens reduzidas, a renovação da frota tende a influenciar diretamente a eficiência operacional e a competitividade logística nacional.





