Do PORTAL UNIBUS
Foto: Magnus Nascimento (Divulgação)
O sistema de transporte intermunicipal do Rio Grande do Norte entrou em colapso na manhã desta segunda-feira (6), com a retirada gradual de ônibus que circulam na Região Metropolitana de Natal. A medida deixou passageiros sem atendimento e não há previsão de normalização. O recolhimento dos veículos foi determinado pelo SINTRO/RN (Sindicato dos Rodoviários no RN), que aponta atraso no pagamento de salários por parte das empresas do setor.
A retirada dos ônibus ocorreu de forma progressiva ao longo da manhã, impactando linhas que atendem cidades da Região Metropolitana, incluindo também o transporte opcional. A paralisação atingiu tanto o transporte metropolitano quanto trajetos de longa distância realizados a partir da rodoviária, incluindo reflexos no serviço interestadual devido à interrupção das operações na rodoviária de Natal.
A decisão foi adotada diante da impossibilidade de manter a operação, segundo o sindicato, em meio ao aumento dos custos, especialmente com o diesel, e à ausência de medidas emergenciais por parte do poder público estadual.
Segundo o presidente do SINTRO/RN, Júnior Rodoviário, a situação envolve demissões e pendências trabalhistas. De acordo com ele, a falta de pagamento das verbas rescisórias atinge trabalhadores da empresa Trampolim da Vitória. Já os atrasos salariais também alcançam profissionais de outras empresas, o que levou a categoria a decidir pela paralisação das atividades.
Empresas alegam dificuldades financeiras e anunciam demissões.
Empresas que atuam no sistema intermunicipal afirmam que enfrentam dificuldades financeiras para manter as atividades. Entre os fatores apontados estão a falta de subsídios diretos e o aumento no preço do combustível.
Em uma das empresas da Grande Natal, está prevista a demissão de 50 motoristas, além da retirada de 25 ônibus de circulação. Segundo o representante do SINTRO/RN, empresas vêm desligando trabalhadores sob a justificativa de dificuldades financeiras, sem apresentar prazos para o pagamento das verbas rescisórias. “As empresas alegam que não têm condições de pagar e não informam quando vão quitar os valores devidos”, afirmou.
Passageiros ficam sem transporte e enfrentam falta de informações.
Com a paralisação, passageiros que dependem do transporte intermunicipal para deslocamentos diários ficaram sem alternativas. A interrupção atinge usuários que utilizam o sistema para trabalho, e acesso a serviços.
Relatos iniciais indicam pontos de parada com acúmulo de pessoas e ausência de informações sobre a retomada das operações. A falta de previsão agravou a situação ao longo do dia.
Segundo o presidente do SINTRO/RN, a paralisação deve seguir até que haja definição sobre o pagamento dos salários e a regularização das pendências trabalhistas. “Não sabe quando pagar o salário do trabalhador. E com isso levou a gente a tomar essas decisões até que o órgão responsável, seja o DER, chame o sindicato patronal e o sindicato dos trabalhadores para gente sair desse impasse que nós não vamos aceitar é trabalhador ser demitido sem receber verba rescisória”, disse.
Governo do RN cita isenção de ICMS sobre diesel.
O Governo do Rio Grande do Norte informou que adota medidas relacionadas ao custo do combustível desde 2020. A partir de junho daquele ano, houve redução de 50% no ICMS sobre o diesel, passando à isenção total em 2021.
De acordo com dados apresentados, entre junho de 2020 e fevereiro de 2026, o volume acumulado de isenção chegou a R$ 78,2 milhões, abrangendo os sistemas de transporte urbano de Natal e intermunicipal. Apesar disso, operadores afirmaram que os custos permanecem elevados sem subsídios diretos ou revisão tarifária.





