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Empresas de ônibus de São Luís em recuperação judicial são transferidas para novo sócio e levantam suspeitas

Do PORTAL UNIBUS
Foto: Divulgação (Prefeitura de São Luís)

Duas empresas do sistema de transporte coletivo de São Luís, que acumulam dívidas de aproximadamente R$ 177 milhões e estão em recuperação judicial, tiveram o controle societário transferido para um novo administrador. A mudança envolve as viações Expresso Rei de França e Expresso Grapiúna, agora sob responsabilidade formal de um jovem de 26 anos, apontado como possível “laranja”. As informações foram divulgadas pelo site Metrópoles.

Desde janeiro de 2026, Willame Alves dos Santos passou a figurar como titular de 100% das cotas da DAJP Participações Ltda, holding que controla as duas empresas. O capital social declarado da companhia é de R$ 3 milhões.

A alteração substitui Deborah Piorski Ferreira, filha do empresário Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, conhecido como “PP” e citado como possível sócio oculto do grupo. Documentos oficiais indicam a transferência integral das cotas ao novo titular.

O histórico do novo administrador, no entanto, levanta questionamentos sobre a capacidade de gestão de empresas desse porte. Registros apontam que ele é beneficiário de programa social, além de já ter sido preso em flagrante por suspeita de estelionato e posse de drogas. Também responde a processo por inadimplência relacionado à compra de uma motocicleta.

De acordo com informações judiciais, há relatos de aplicação de golpes com falsos comprovantes de pagamento e acúmulo de dívidas por falta de quitação de parcelas de financiamento. Ele foi liberado mediante cumprimento de medidas cautelares.

Paralelamente à mudança societária, as empresas anunciaram a paralisação temporária das operações, alegando falta de repasses por parte do poder público municipal. Há ainda indícios de movimentações financeiras que teriam contornado bloqueios judiciais, com transferências de recursos para outras empresas ligadas ao grupo.

Extratos bancários apontam repasses milionários para uma mineradora associada ao núcleo familiar, incluindo despesas de caráter pessoal, como pagamento de faturas de cartão de crédito.

Pedro Paulo, apontado como operador do esquema, ocupa atualmente a vice-presidência do sindicato que representa as empresas de transporte da capital maranhense, entidade responsável pela gestão das receitas do sistema de bilhetagem.

A presença de familiares em diferentes empresas, nos setores de transporte, mineração e comércio, também é citada como indício de possível uso de terceiros para ocultação patrimonial — prática já apontada por credores no processo de recuperação judicial.

Procurados, representantes legais das empresas e da administração judicial não se manifestaram até o momento. O novo sócio também não foi localizado para prestar esclarecimentos sobre a aquisição do controle das companhias.

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