Do PORTAL UNIBUS
Foto: Acervo (PORTAL UNIBUS)
O aumento do preço do óleo diesel, que já acumula alta de cerca de 20%, tem ampliado a pressão sobre os custos do transporte de passageiros no Rio Grande do Norte e acendido alerta para possíveis impactos na oferta de serviços. A avaliação é da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor), que aponta risco de redução das operações caso não haja medidas de mitigação.
Segundo o presidente da entidade, Eudo Laranjeiras, o combustível tem peso central na estrutura de custos das empresas e compromete o equilíbrio financeiro do setor. Ele destaca que a elevação dos principais insumos impacta diretamente a sustentabilidade das operadoras e informou que pretende buscar o Governo do Rio Grande do Norte para discutir alternativas.
O cenário local acompanha uma tendência nacional de encarecimento dos combustíveis, influenciada pela alta do petróleo no mercado internacional, pela volatilidade cambial e pela política de preços adotada pela Petrobras. Mesmo com medidas recentes do governo federal para conter o avanço do diesel, como redução de tributos e subsídios, agentes do setor apontam dificuldade na transmissão integral desses alívios ao consumidor final.
No transporte público, o impacto é mais imediato. O diesel representa parcela significativa dos custos operacionais, ao lado de despesas com manutenção e folha de pagamento. Com margens mais pressionadas, empresas podem rever rotas, reduzir a frequência de viagens e priorizar linhas com maior demanda, o que pode afetar principalmente regiões periféricas e serviços essenciais.
A Fetronor avalia que, sem ações coordenadas, o cenário tende a se agravar. Entre as alternativas discutidas estão a revisão de subsídios, ajustes tarifários e mecanismos de compensação para equilibrar os contratos de concessão. A entidade ressalta que a eventual redução da oferta pode atingir diretamente os usuários, ampliando o risco de descontinuidade em linhas de menor rentabilidade.
No plano nacional, a alta do diesel também mobiliza o governo federal, que busca evitar impactos mais amplos sobre a inflação e a logística. O Brasil importa cerca de 30% do combustível consumido, o que aumenta a exposição a oscilações externas e limita a capacidade de controle de preços, reforçando a necessidade de medidas estruturais para garantir maior previsibilidade ao setor.





