Frota de ônibus do Grande Recife envelhece enquanto licitação do transporte segue adiada há 12 anos

Do PORTAL UNIBUS
Foto: Rafael Fernandes (Gentilmente cedida ao PORTAL UNIBUS)

Apesar do anúncio de que o transporte público da Região Metropolitana do Recife (RMR) vai receber R$ 32 milhões para a aquisição de 40 ônibus Euro 6 com ar-condicionado pelo Novo PAC Mobilidade 2025, a frota em circulação nunca esteve tão envelhecida. O cenário é agravado pelo fato de que 75% da operação ainda está sob responsabilidade de empresas permissionárias que aguardam há 12 anos a conclusão da licitação das linhas.

Dados da primeira quinzena de agosto de 2025, divulgados pelo Jornal do Commercio, apontam que 982 dos 2.493 ônibus em operação na RMR estão com a vida útil vencida, o que corresponde a 39,4% da frota. A idade média geral dos veículos é de 5,69 anos. Segundo especialistas, a demora na renovação compromete a qualidade, a segurança e a confiabilidade do sistema de transporte coletivo.

Situação crítica entre permissionárias
Entre as empresas permissionárias, o percentual de veículos com vida útil ultrapassada chega a 53,5%. O caso mais grave é o da empresa Caxangá, onde 64,5% da frota (234 de 363 ônibus) está acima da idade recomendada. A Empresa Metropolitana apresenta 62,0% (144 de 236 veículos), a Globo tem 49,0% (77 de 157) e a Borborema, embora com menor proporção, possui a frota mais envelhecida: idade média de 7,07 anos e 47,3% (205 de 433 veículos) em situação irregular.

Concessionárias em melhor condição
O contraste aparece entre as concessionárias, que respondem por 25% da operação. Apenas 10,4% da frota (85 de 816 ônibus) está fora da vida útil. O Consórcio Conorte, responsável pelo BRT Norte-Sul, tem apenas 3,8% da frota comprometida, com idade média de 3,90 anos. Já a MobiBrasil, operadora do BRT Leste-Oeste, registra 19,9% de veículos vencidos e idade média de 3,88 anos.

Licitação adiada para 2026
A licitação que poderia reverter o quadro vem sendo adiada desde 2013. Inicialmente prevista para janeiro de 2026, a operação efetiva dos lotes remanescentes (3 a 7), que representam 75% da rede, foi empurrada para setembro de 2026. Até lá, o sistema seguirá dependendo de permissionárias que atuam sem contrato formal.

O cronograma atualizado prevê publicação do edital em novembro de 2025, abertura das propostas em fevereiro de 2026 e assinatura dos contratos em março. A transição operacional começaria em seguida, com previsão de que as novas concessionárias assumam a operação em setembro do mesmo ano.

Doze anos de espera
Os cinco lotes remanescentes já haviam sido licitados em 2013, com previsão de investimentos de R\$ 10,5 bilhões ao longo de 15 anos. Os contratos, no entanto, nunca foram assinados em razão dos custos elevados no cenário econômico pós-Copa do Mundo de 2014. Desde então, apenas 25% da rede opera sob regime licitado, enquanto 75% continua nas mãos de permissionárias, dependentes exclusivamente da arrecadação tarifária.

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