Do PORTAL UNIBUS
Foto: Andreivny Ferreira (PORTAL UNIBUS)
A tarifa do transporte público de Natal acumulou aumento de 79% nos últimos dez anos, passando de R$ 2,90, em 2016, para R$ 5,20 em 2026. O dado foi apresentado pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) durante entrevista coletiva realizada na sexta-feira (27), que detalhou o novo reajuste previsto para entrar em vigor neste domingo (29).
Com o novo valor, a capital potiguar passa a ocupar a 11ª posição entre as tarifas de ônibus urbanos mais elevadas do país. Entre as cidades com maiores preços estão Florianópolis (R$ 7,70), Belo Horizonte (R$ 6,25) e Curitiba (R$ 6,00). No Nordeste, Salvador (R$ 5,90) aparece acima de Natal, que também se aproxima de João Pessoa (R$ 5,45) e Fortaleza (R$ 5,40), ficando à frente de Recife (R$ 4,50), São Luís (R$ 4,20) e Teresina (R$ 4,00).
Além da evolução tarifária, a Prefeitura apresentou indicadores do sistema de transporte ao longo do período. Entre 2016 e 2025, a frota de ônibus em operação foi reduzida de 623 para 353 veículos. No mesmo intervalo, a demanda de passageiros caiu cerca de 50%, com impacto significativo após a pandemia de covid-19.
De acordo com a STTU, a redução no número de usuários influencia diretamente o cálculo da tarifa, já que os custos operacionais passam a ser divididos entre menos passageiros. “A tarifa técnica é aquela que realmente remunera o sistema”, explicou a secretária da pasta, Jódia Melo.
O prefeito Paulinho Freire afirmou que o reajuste adotado buscou conter um aumento mais elevado, com base em estudos técnicos elaborados pela secretaria. “Depois de um estudo feito na STTU, a tarifa seria muito mais cara do que a gente reajustou. Reajustamos abaixo da inflação”, disse.
Segundo o prefeito, o conjunto de medidas anunciado pela gestão, que inclui subsídios e gratuidades, tem como objetivo reduzir o impacto para os usuários e estimular a retomada da demanda no sistema. “Então, nós pensamos principalmente nos trabalhadores, nas pessoas, que não poderia ter um aumento da maneira que estava sendo estudado”, afirmou.
Antes da pandemia, o sistema de transporte público de Natal registrava cerca de 100 milhões de passageiros por ano. Com a mudança no padrão de deslocamentos e a queda na demanda, o volume de usuários diminuiu significativamente, alterando o equilíbrio financeiro da operação.
Outro fator apontado como pressão sobre a tarifa é o volume de gratuidades. Atualmente, cerca de 40% dos passageiros não pagam pela utilização do sistema, incluindo estudantes, idosos e pessoas com deficiência.
Os custos operacionais também apresentaram crescimento nos últimos anos, impulsionados por despesas com combustível, manutenção e pessoal. Entre os fatores recentes, a STTU destacou a reoneração da folha de pagamento das empresas, com a retomada gradual da cobrança de INSS, que acrescentou aproximadamente 10% aos custos do sistema.





