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Produção de chassis de ônibus cresce no início de 2026, mas vendas recuam à espera de licitações

Do PORTAL UNIBUS
Foto: Thiago Martins

A produção de chassis de ônibus no Brasil apresentou crescimento no primeiro bimestre de 2026, embora o mercado de vendas ainda registre retração enquanto aguarda a definição de licitações públicas para renovação de frotas. Dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores mostram que 4,5 mil unidades saíram das linhas de montagem entre janeiro e fevereiro, volume 5,4% superior às 4,2 mil produzidas no mesmo período de 2025.

Somente em fevereiro, foram fabricados 2,7 mil chassis, número 48,5% superior ao registrado em janeiro, quando a produção somou 1,8 mil unidades. Na comparação com fevereiro do ano passado, quando foram produzidas 2,4 mil unidades, o avanço foi de 8,8%.

Apesar do aumento na produção, o ritmo de emplacamentos permanece reduzido. No acumulado dos dois primeiros meses de 2026, as vendas de ônibus totalizaram 2,4 mil unidades, retração de 33,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando haviam sido comercializados 3,7 mil veículos.

Em fevereiro, foram registrados 1,3 mil emplacamentos, resultado 33,1% inferior ao observado no mesmo mês de 2025, quando o mercado absorveu 1,9 mil ônibus. Em comparação com janeiro deste ano, porém, houve leve recuperação, já que naquele mês os registros haviam somado 1,1 mil unidades, indicando crescimento de 10,7%.

O desempenho do setor está diretamente ligado às perspectivas de compras públicas, especialmente ao programa Caminho da Escola, responsável por parte significativa da demanda por veículos escolares no país. A expectativa da indústria era a abertura de uma nova licitação para aquisição de 7.470 ônibus, conduzida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.

No entanto, o órgão confirmou a suspensão temporária do processo licitatório, que era aguardado para o início de março. Segundo o FNDE, a medida foi adotada devido a mudanças recentes no marco legal e tributário que impactam diretamente a aquisição dos veículos. De acordo com o órgão, o novo cenário normativo interfere na composição de custos, na formação de preços e nas condições contratuais, exigindo análise mais detalhada para garantir segurança jurídica e equilíbrio entre os participantes do certame.

Entre os fatores que motivaram a revisão do processo está a decisão do governo federal de retomar, a partir de 1º de abril, a cobrança de tributos como PIS/Cofins e IPI sobre a cadeia produtiva. A mudança pode afetar também a isenção de ICMS concedida desde 2007, elevando de forma significativa os custos para fabricantes de chassis e encarroçadoras.

Para Igor Calvet, presidente executivo da Anfavea, o tema gera preocupação no setor. Segundo ele, parte dos veículos foi negociada sob um regime tributário diferente daquele que estará em vigor no momento da entrega, o que pode gerar impactos relevantes na formação de preços e nos contratos firmados.

A entidade informou que mantém diálogo com o Conselho Nacional de Política Fazendária e com secretarias estaduais da Fazenda em busca de alternativas que evitem a incidência das novas regras sobre operações já negociadas.

Além disso, a Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus ingressou com solicitação junto ao Confaz para que a cobrança de ICMS seja revista, medida considerada essencial para reduzir os impactos sobre os custos da indústria.

O FNDE informou que segue em diálogo com os órgãos responsáveis pela política tributária para avaliar possíveis soluções e viabilizar a republicação da licitação no menor prazo possível, preservando a regularidade do processo e o interesse público.

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