FETRONOR comemora 50 anos com evento e ações voltadas para o futuro do transporte no Nordeste

Presidente da FETRONOR critica falta de subsídios e alerta para risco de colapso no transporte público

Do PORTAL UNIBUS
Foto: João Vital (FETRONOR)

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Jovem Pan News Natal, o presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Nordeste (FETRONOR), Eudo Laranjeiras, fez críticas à forma como o transporte público vem sendo tratado por governos municipais e estaduais. Segundo ele, o setor precisa ser prioridade nas políticas públicas, com um modelo de financiamento adequado, sob o risco de colapso do sistema.

“O que a gente precisa é que o órgão gestor priorize de fato o transporte público”, afirmou. Ele destacou que o problema não está apenas na operação, mas na falta de um modelo estruturado de financiamento, agravada pela resistência política em realizar reajustes tarifários. “Não são reajustes, são realinhamentos tarifários. Mas nenhum político quer assumir isso, porque é impopular. Só que o atraso gera consequências: a frota não se renova, os veículos quebram, e o sistema entra em colapso”, alertou.

Faixas exclusivas e subsídios para evitar o colapso
Entre as medidas defendidas por Laranjeiras para garantir a viabilidade do transporte coletivo está a implantação de faixas exclusivas para ônibus nos grandes corredores urbanos. Ele reconhece que a medida pode enfrentar resistência da população, mas reforça que a prioridade ao transporte público beneficia a maioria dos passageiros. “A faixa exclusiva garante agilidade e permite que os ônibus façam mais viagens por dia. Ainda hoje, a maioria da população se desloca de ônibus. É preciso reconhecer isso e tratar o transporte como prioridade”, disse.

O presidente da FETRONOR também comentou a proposta de um subsídio anual de R$ 60 milhões para o transporte público de Natal. Ele afirmou que o valor foi calculado por meio de estudos técnicos e que a ausência de garantias financeiras impactou a recente licitação do transporte, que terminou sem empresas interessadas. “Esse valor não surgiu do nada. Foi um cálculo técnico. Mas não adianta fazer licitação sem previsão de aporte. O resultado é o que vimos: uma licitação deserta. Quem vai entrar num sistema para operar com prejuízo?”, questionou.

Isenções fiscais não são suficientes
Desde a pandemia, algumas medidas foram adotadas para reduzir os custos do setor, como a isenção do ICMS sobre o diesel pelo governo estadual e do ISS pela prefeitura. No entanto, segundo Eudo, essas ações apenas ajudaram a manter o valor das passagens, sem possibilitar uma redução real para os usuários. Ele defende um subsídio direto, com repasse de recursos públicos ao sistema.

“Ter um transporte de qualidade tem custo, e esse custo precisa ser dividido com toda a sociedade. É como a taxa de iluminação pública: você usa ou não usa, mas paga. O mesmo vale para o transporte. E quem anda de ônibus, ainda paga a tarifa. Por isso, precisa haver um subsídio real, porque o transporte é essencial”, concluiu.

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