Os resultados do acumulado até novembro mostram uma recuperação consistente no mercado interno de caminhões. As vendas totais no período somam 92,7 mil unidades e alta de 35% sobre iguais meses de 2018. Foi o melhor acumulado para os 11 meses desde 2014 e novembro registrou a melhor média diária (453 unidades) também desde aquele ano. Os números foram divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
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Foto: Divulgação / Automotive Business |
“A retomada dos caminhões não está mais concentrada nos pesados por causa do agronegócio. Agora ela ocorre nos semipesados e médios também”, ressalta o vice-presidente da Anfavea, Gustavo Bonini.
“Temos as vendas no varejo aparentemente puxando outros segmentos e a construção civil favorecendo a venda de semipesados”, afirma Bonini, referindo-se ao aquecimento do mercado imobiliário e também à retomada de obras de infraestrutura.
A alta no segmento pesado ainda é a mais expressiva. Até novembro foram entregues 47,4 mil unidades, 53,1% a mais que em iguais meses do ano passado. Em seguida vêm os caminhões médios, com 9,3 mil unidades no período e acréscimo de 34,1%. Os semipesados, 21,3 mil, anotaram alta de 32,4%. Os semileves, 4,5 mil, tiveram acréscimo de 19%. O único segmento com queda (-3,3%) foi o de leves, com 10,2 mil licenciamentos nos 11 meses. A Anfavea acredita em novo crescimento em 2020, que deve ocorrer em medida semelhante para todos os segmentos.
ALTA IMPORTANTE EM PRODUÇÃO
A produção de caminhões também foi a melhor no acumulado até novembro desde 2014. Nos 11 meses foram montadas 107,5 mil unidades. A alta anotada é de 9,5%, claramente puxada pelo mercado interno, já que as vendas externas despencaram. Mais da metade dos caminhões fabricados (58,7 mil unidades) pertence ao segmento pesado.
EXPORTAÇÃO RECUA 46,7%
Até novembro o Brasil exportou 12,6 mil caminhões, volume 46,7% menor que o anotado em iguais meses de 2018. O motivo é conhecido, a retração no mercado argentino. O país vizinho responde por mais de 50% dos embarques brasileiros. Por segmento, a maior queda (60,6%) ocorreu nos semipesados, que tiveram apenas 3,3 mil unidades exportadas em 11 meses.
VENDA DE ÔNIBUS ANOTA ALTA PRÓXIMA A 40%
Os licenciamentos de novos ônibus no acumulado até novembro somaram 19 mil unidades, volume 39,6% mais alto que em iguais meses do ano passado. Assim como ocorreu para veículos leves e caminhões, a venda de ônibus também teve o melhor acumulado desde 2014.
A maior parte das vendas se concentrou em renovações de frota de grandes cidades, mas as empresas de transporte rodoviário também investiram este ano e contribuíram para o crescimento. A produção somou no período de 11 meses 26,5 mil unidades, registrando pequena queda de 3,5%.
EXPORTAÇÕES EM RISCO PARA 2020
Nestes 11 meses o Brasil enviou ao exterior 6,4 mil ônibus, registrando queda de 22,7% ante iguais meses do ano passado. A Anfavea vê com preocupação os conflitos recentes em países como Chile e Colômbia, mercados tradicionais dos ônibus brasileiros. “Ainda não houve reflexos, mas isso pode afetar futuras vendas”, reconhece o presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes. Estes e outros mercados da região (como Peru, Equador e Venezuela) poderiam compensar em parte a retração na Argentina. Até o fim do ano o Brasil deve exportar 20 mil veículos pesados (na soma de caminhões e ônibus), anotando queda de 40,7% em relação a 2018.
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