A prefeitura de São Paulo comemorou, nesta segunda-feira, o fato de ter superado sua própria meta e construído 224,6 Km de faixas exclusivas de ônibus na capital desde o início da gestão, no começo do ano.
Embora a medida já tenha trazido resultados positivos – como o aumento da velocidade média dos ônibus nestas vias –, é correto dizer que o que se fez até agora é a parte fácil: basta pintar as linhas no asfalto e fiscalizar.
Mas São Paulo e as demais grandes cidades brasileiras precisam de soluções maiores – e mais caras – para que o transporte público ganhe eficiência e pareça atrativo a quem hoje só anda de carro. Além do metrô, especialistas defendem em longo prazo outras soluções como as linhas BRT (Bus Rapid Transit) e até mesmo os corredores de ônibus comuns. “As faixas são apenas uma pintura, e por isso só são capazes de atender parte da demanda da população”, afirma o arquiteto urbanista e consultor de transporte, Flamínio Fichmann.
Na opinião de Fichmann, para desafogar de verdade o trânsito é preciso investir mais nos BRTs, que tem maior capacidade, e utilizar as faixas e corredores como complementos. “O que defendemos é que os passageiros tenham linhas adequadas para suas necessidades, e isso só é possível através da multimodalidade”.
Mas, afinal, qual é a diferença entre esses três tipos de sistemas que buscam aumentar a velocidade dos ônibus?
Faixas Exclusivas: Localizadas na maioria das vezes à direita da via e de fácil implantação, as faixas exclusivas são pintadas em avenidas de grande circulação. A principal limitação para ônibus é que eles continuam a ter que disputar espaço com os carros que desejam fazer conversões. Elas funcionam apenas em horários determinados, geralmente os de maior movimento, que podem variar de acordo com o trecho.
O Código de Trânsito Brasileiro considera a invasão da faixa por motoristas de automóveis como infração leve. É prevista multa de R$ 53,20 para quem desrespeita a lei, além da perda de três pontos na carteira. A punição também se estende aos taxistas, que são proibidos de circular por essas vias.
De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), São Paulo conta hoje com um total de 346,7 Km de faixas exclusivas: os 224,6 km implantados pela gestão atual se somam aos 122,1 Km antes existentes.
Corredores de ônibus: A principal característica dos corredores é que eles são destinados à circulação exclusiva dos ônibus em período integral. A localização à esquerda da via faz com que os coletivos não tenham que dividir espaço com os carros que desejam fazer conversão. Sua implantação é mais cara e demorada que as faixas exclusivas, pois exigem paradas de ônibus nos canteiros centrais, com coletivos que tenham portas também à esquerda.
O Código de Trânsito Brasileiro considera a invasão do corredor pelos motoristas de automóveis como infração grave. É prevista multa de R$ 127, 69, além da perda de cinco pontos na carteira.
Em São Paulo, no entanto, os taxistas são autorizados a circular na via caso estejam levando passageiros. Segundo a SPTrans, a capital paulista tem hoje 10 corredores de ônibus que totalizam 119,3 Km de extensão. A previsão da prefeitura é que sejam construídos mais 150 Km até 2016.
Bus Rapid Transit (BRT): Inventado em Curitiba há quase 40 anos e ainda pouco utilizado no Brasil, o Bus Rapid Transit (BRT) é também um tipo de corredor de ônibus. Entretanto, ele obedece a características específicas que garantem sua maior eficiência. Embora sua implantação exija investimentos maiores que os outros corredores e faixas, sua capacidade de ocupação pode ser comparada com a de um metrô.
Para ser considerado um BRT, o corredor tem que contar com: faixas que permitam ultrapassagem entre os ônibus; embarque de passageiros no mesmo nível do coletivo; paradas semelhantes a estações, com pagamento antecipado que evite filas; e também carros maiores e articulados, que transportem mais pessoas. Adotado em várias cidades do mundo, o BRT é elogiado pelos especialistas por causa da regularidade, rapidez e conforto que oferece aos passageiros.
São Paulo conta apenas com um corredor desse tipo, o Expresso Tiradentes, que não chega a ter nem 10 Km de extensão.
Fonte: Revista Exame