Trecho de 700 metros por onde passam seis linhas de ônibus na Zona Norte tem 173 buracos

Trafegar em um trecho de 700 metros entre os conjuntos Santarém e Gramoré, Zona Norte de Natal, é ter uma experiência semelhante ao de um rali. A equipe do Diário de Natal contabilizou 173 buracos nesse percurso, que possui um fluxo de veículos diário intenso e por onde circulam seis linhas de ônibus. A população reclama dos prejuízos por causa da quebra dos veículos. A prefeitura de Natal anuncia que as obras de recuperação das vias públicas na zona Norte devem ser iniciadas na próxima semana.

O trecho em questão comporta três vias: Avenida Rio Doce, Rua Governador Antônio de Melo e Souza e Avenida Tocantínia, no conjunto Pajuçara, e liga os conjuntos Santarém e Gramoré, nas proximidades do Ginásio Esportivo Nélio Dias. É uma via com duas mãos, com veículos trafegando nas duas direções. Pelo local circulam as linhas 01 (Cidade da Esperança/Gramoré), 02 (Gramoré/Mirassol), 11/17 (Gramoré/Petrópolis), 15/16 (Pajuçara/Petrópolis), 60 (Pajuçara/Mirassol) e 84 (Soledade I/Petrópolis). Além disso, há um fluxo intenso de carros e motos pelo local. Senso de oportunidade ou não, também existem quatro borracharias somente nesse percurso.

O borracheiro Marcelo Nascimento, 33 anos, um dos que possuem um estabelecimento ao longo do trecho, diz que, atualmente, há uma média de dez veículos por dia que cortam ou furam os pneus nas proximidades. Isso, porém, não tem gerado qualquer lucro para ele. “Desses dez, só consigo recuperar dois. O restante, geralmente, é perda total, principalmente se o corte é na lateral. Aí os clientes saem e vão comprar pneus nos supermercados, pois não querem o nosso preço”. Para ele, a situação desse trecho é absurda, pois o próprio borracheiro teve problemas com os buracos. “Nesta semana minha moto empenou o aro em um buraco desses e ainda não pude comprar um novo”.

O vigilante Joaquim Tomás, 50 anos, conta que há dois meses teve que gastar R$ 680 para trocar uma peça que quebrada em seu VW Fusca devido aos buracos do trecho. Tendo de passar pelo local diariamente, sua opinião é de que aquilo é uma falta de respeito com o povo. “Trafegar por aqui é sempre arriscado: se a gente livra o buraco, bate no carro que vem à frente. Se livra o carro, cai em um buraco e rasga o pneu”.

O taxista Amós Elias da Silva, 32 anos, cujo ponto fica nas proximidades do Ginásio Nélio Dias, conta que já teve que fazer o alinhamento e balanceamento dos pneus em seu veículo três vezes este ano, cada uma no valor de R$ 80. Ele diz já ter visto vários ônibus e outros veículos quebrarem após passar por um buraco da Avenida Tocantínia. “Isso aqui é uma vergonha. É a prova de que a cidade está sem uma administração decente”, declara.

O secretário adjunto de Conservação da Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (Semopi), Francisco Pereira Júnior, alega que a empresa contratada para executar o projeto emergencial de recuperação das vias públicas das zonas Norte e Oeste da cidade estava com um problema, “mas afirmaram que iriam retomar o trabalho na próxima segunda”. Segundo ele, o trecho em questão está contemplado no projeto, mas não dá um prazo para que ela seja recuperada. “Temos que concluir primeiro a etapa na Avenida Boa Sorte (conjunto Vale Dourado) e depois partimos para essa área em questão”. O secretário alega que serão investidos cerca de R$ 500 mil na recuperação de ruas da zona Norte.

Foto: Ana Amaral (Diário de Natal)
Fonte: Diário de Natal

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