Editorial UNIBUS RN: O misterioso desaparecimento da linha 45

Segunda-feira, 06 de agosto de 2012, aproximadamente 06:30 da manhã. Usuários esperavam, nos diversos pontos de ônibus, o veículo da linha 45 (Brasília Teimosa/Campus). Ele atrasará. Comum! Atrasos acontecem. Há até quem classifique como normal a espera por mais de meia hora para linhas de ônibus. Que seja! A demora perdurou por mais e mais tempo, até “cair a ficha” dos que esperavam que a linha 45 não estava circulando. Começava, talvez, a sensação de um parente que saiu de casa e desapareceu.
E como em um contexto de filme ou seriado policial, começavam os questionamentos – até óbvios: o que teria acontecido? Quando voltará? Quem, ligado a linha 45, poderia responder as questões? Parecendo abrilhantar o drama/suspense, nem mesmo a própria SEMOB – Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal –, órgão gestor do sistema de transporte, tinha qualquer informação sobre o caso. Teriam mesmo raptado a 45? Não. Sem qualquer informe aos usuários (e ao que se sabe também à própria SEMOB), a linha foi suspensa. Não demorou muito para a imprensa divulgar o caso, ilustrado pelo coincidente retorno de volta às aulas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – local onde a 45 tem seu ponto de retorno.

Após a poeira ter baixado, ainda vivemos aos comentários extraoficiais: Da SEMOB, de que foi pega de surpresa, ligando-se a empresa – que nem mesmo ela poderia explicar com precisão; E da empresa, que teria alegado que a baixíssima demanda da linha só estava gerando prejuízos, sendo melhor “entregar” a linha.

Mudança brusca e péssima para a população. As dificuldades de quem esperava os ônibus da linha 45 foram amenizadas por quem tinha o cartão eletrônico e pode fazer a integração temporal, com ônibus de outras linhas que se direcionaram para o Campus. Deixando a integração de lado e observando a prática, o trajeto entre UFRN e Centro da Cidade conta agora com apenas uma linha e trajeto único pelo bairro do Alecrim (48 – Santos Reis/Nova Descoberta, via Alecrim). Linha que se torna ainda mais dificultosa, uma vez que já atende o bairro de Nova Descoberta e agora é sobrecarregada com a demanda do Campus. E nessas horas, pergunta-se: como fica a situação de quem dependia da 45, já que seu trajeto privilegiava a região da Praça Cívica?

E para contemplar o caso, a semana é de inicio das aulas na própria UFRN. Primeira semana de aula, sabidamente, a demanda é baixa. Mas com o aumento no número de alunos, a partir da próxima segunda-feira (13), já é esperado que a demanda cresça (ainda mais). Sabendo bem disso, a própria UFRN quer melhorar as questões de transporte em suas dependências. Estuda, junto a SEMOB, a colocação de mais linhas por lá. Uma ironia em meio ao desaparecimento da 45.

Na outra ocasião em que a 45 também foi “deixada de lado” pela Riograndense, a Santa Maria passou a operá-la. Mas parece que não viu mais interesse, nesta ocasião. Nem ela, nem nenhuma outra empresa.

Por enquanto, a 45 continua é desaparecida. Quem será que vai desbancar o detetive e colocá-la de volta as ruas? Ou será que a linha vai para o “Arquivo Morto”?

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